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Quase 75 anos de tradição

“Hoje seremos uns 3, no máximo 4, mas em breve espero lotar o salão”, profetizou Dimas de Camargo Maia na noite de fundação do Clube da Bolinha

Em 1948, o mercado de seguros estava aquecido por conta da acelerada industrialização do país, mas os métodos algumas vezes ainda eram questionáveis. Sobre isso, o jornalista Manoel Teixeira de Carvalho Filho, o Nelito, em seu relato histórico sobre o Clube da Bolinha, afirmou que “existiam seguradoras que aceitavam riscos sem a intenção de cobri-los em caso de sinistro” e que, por isso, as companhias nacionais “eram preteridas pelas estrangeiras, que gozavam de mais credibilidade”.

A conduta reprovável de parte do mercado, aliada a uma legislação confusa, criou um ambiente predatório e desorganizado. Isso preocupava o executivo da Home Insurance, Dimas de Camargo Maia. Apaixonado pela atividade seguradora, onde iniciou a atuação aos 15 anos, estava convencido de que o setor deveria ser mais saudável e que, para isso, a iniciativa tinha que partir dos profissionais do ramo, ou pelo menos por parte daqueles bem-intencionados.

No dia 30 de agosto de 1948, Dimas convidou os colegas Humberto Felice Junior e João de Paula Souza Cabral, ambos executivos da North British, para um jantar na Pizzaria Telêmaco, na Avenida Ipiranga. Era uma terça-feira, e por isso o dia da semana é observado até hoje pelos Bolinhas em seus encontros mensais. Naquela noite, há quase 75 anos, Dimas chegou ao restaurante sozinho e o garçom perguntou: “Mesa para quantos?”. De pronto, ele profetizou: “Hoje seremos uns 3, no máximo 4, mas em breve espero lotar o salão”

Pouco mais tarde, Dimas compartilhou suas preocupações com os amigos e propôs: “Vamos tentar, amparados pela amizade, superar os obstáculos que enfrentamos?”. Estava, então, fundado o Clube da Bolinha do Estado de São Paulo que, naquele dia, ainda não tinha nome. Por outro lado, imediatamente foi instituído um lema bem definido: “Companheirismo – Ética – Solidariedade”. A ideia era aproximar as pessoas com capacidade de decisão no mercado de seguros para que, por meio de um contato mais próximo e, propositalmente, descontraído, houvesse colaboração para o desenvolvimento do mercado.

Dimas lembrou, vários anos após aquela noite em 1948, que a iniciativa foi progressivamente ganhando adeptos. “Chegaram Giovani Meneghini, Ozório Pâmio, Alberico Ravedutti Bulcão, Dalton de Azevedo Guimarães, Décio Costa, Gilson Cortines de Freitas, Seraphim Raphael Chagas Góes…” O resto é uma rica história que vamos resgatar e contar em partes nos próximos meses.

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